Pular para o conteúdo

Crônica 1 – MIMMESMO — Sobre a Memória Afetiva Primordial e o Afeto Profundo da Infância

O que é o MIMMESMO?

Todos nós carregamos uma história que continua sendo escrita mesmo quando acreditamos conhecê-la.

O projeto MIMMESMO, de Carlos Homero Giacomini, nasce justamente desse encontro entre memória, identidade e narrativa. Mais do que uma série de crônicas autobiográficas, MIMMESMO é uma investigação literária sobre aquilo que nos constitui: as pessoas que amamos, os medos que carregamos, os afetos que nos moldam e as lembranças que insistem em permanecer.

Ao longo desta série, o leitor será convidado a percorrer episódios da infância, da família, das descobertas, das alegrias e das melancolias que ajudaram a construir o homem, o escritor e o observador do mundo que habita estas páginas.

Mas estas não são apenas memórias pessoais.

São fragmentos de experiências humanas universais. Ao acompanhar as recordações de Carlos Homero, cada leitor poderá encontrar algo de si mesmo: um colo esquecido, uma voz familiar, um cheiro distante, uma saudade sem nome.

A primeira crônica da série nos leva justamente ao território mais remoto da memória: uma lembrança que talvez anteceda até mesmo a capacidade biológica de recordar.

Texto original da crônica

Crônica 1 – Sobre a memória afetiva primordial e o afeto profundo da infância

A minha lembrança mais antiga, aí pelo ano e meio de vida, vem de uma idade em que a neuroanatomofisiologia não é apta o bastante pra reter memórias. Meu hipocampo engatinhava. Mas eu — tenho quase certeza —, aconchegado a uma mulher de meia idade, preta, gordinha, quentinha, naquele momento era um bebê feliz.

É provável que aquele colo tenha virado memória primordial pela emoção que estava lá. Emoções intensas, podem virar memórias até de um hipocampo intrauterino, pois ocorre que as coisas que menos se suporta lembrar são as que se guarda mais profundamente no inconsciente.

A memória que nasce antes das palavras

Esta primeira crônica apresenta um dos temas centrais de todo o universo de MIMMESMO: a relação entre memória e afeto.

A lembrança narrada por Carlos Homero não é construída por acontecimentos grandiosos ou fatos históricos. Ela nasce de algo aparentemente simples: a sensação de acolhimento em um colo.

O texto sugere uma reflexão profunda sobre como algumas experiências permanecem em nós não porque as compreendemos racionalmente, mas porque foram vividas emocionalmente. Antes mesmo da linguagem, antes mesmo da consciência organizada, certos afetos já nos atravessam e deixam marcas duradouras.

Ao aproximar memória, neurociência e sensibilidade literária, a crônica convida o leitor a revisitar suas próprias lembranças mais antigas e a se perguntar: o que realmente permanece de nossa infância?

Memória afetiva e identidade

Grande parte das histórias que contamos sobre nós mesmos nasce de lembranças fragmentadas.

Algumas imagens sobrevivem.

Alguns cheiros retornam.

Algumas sensações resistem ao tempo.

Nesta crônica, a memória afetiva aparece como uma das forças fundadoras da identidade humana. O colo lembrado pelo narrador não representa apenas proteção. Ele simboliza pertencimento, segurança e a experiência primordial de ser amado.

É justamente desse território emocional que nasce o percurso literário de MIMMESMO.

Por que ler as crônicas de MIMMESMO?

Porque elas falam de experiências profundamente humanas.

Ao longo da série, o leitor encontrará histórias sobre infância, família, avós, pais, descobertas, perdas, alegrias e melancolias. Mas, acima de tudo, encontrará reflexões sobre aquilo que nos transforma em quem somos.

MIMMESMO não é apenas um exercício de recordação.

É uma tentativa de compreender como a memória continua moldando nossas vidas.

Continue acompanhando MIMMESMO

Esta é apenas a primeira de uma série de crônicas que percorrem as lembranças, afetos e experiências que construíram a trajetória de Carlos Homero Giacomini.

Acompanhe as próximas publicações da categoria MIMMESMO e descubra como pequenas memórias podem revelar grandes histórias sobre a condição humana.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *