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Entre a medicina e a literatura: apresento “O Peso e a Pluma” na Rádio Paraná Educativa

  • Homero

Em entrevista ao Programa Uilliam Barbosa, compartilhei reflexões sobre minha trajetória, disciplina, inteligência artificial e o trabalho envolvido na construção de uma obra literária.

A literatura não surgiu em minha vida como uma ruptura completa com o passado. Prefiro compreendê-la como uma continuidade de uma trajetória marcada pela observação das pessoas, pela gestão de conflitos e pelo contato direto com diferentes experiências humanas.

Durante minha participação no Programa Uilliam Barbosa, na Rádio Paraná Educativa AM 630, tive a oportunidade de apresentar meu quarto livro, “O Peso e a Pluma”, e conversar sobre o ofício da escrita, o processo de construção de uma narrativa e os caminhos que me levaram a assumir a literatura como profissão.

Sou médico pediatra, pós-graduado em Saúde Coletiva e membro da Academia Brasileira de Ciências da Administração. Construí minha carreira profissional entre a medicina e a gestão pública antes de reconhecer a literatura como minha terceira profissão.

Hoje, aos 70 anos, defino-me abertamente como escritor. Essa afirmação, embora pareça simples, exigiu tempo, amadurecimento e dedicação.

Nasci em Caçador, no interior de Santa Catarina, e me mudei para Curitiba em 1972, quando tinha aproximadamente 15 anos. As experiências da infância, a convivência familiar, a descendência italiana e as lembranças da cidade natal permaneceram comigo e passaram a integrar meu universo literário.

Durante a entrevista, recordei brincadeiras de infância, histórias familiares e episódios que, muitos anos depois, alimentaram algumas de minhas crônicas. Parte dessas memórias está presente no projeto literário “MIMMESMO”, no qual recupero acontecimentos, personagens e impressões dos meus primeiros anos de vida.

Escrever sobre a memória, no entanto, não significa simplesmente reproduzir o passado. A literatura transforma a experiência por meio da linguagem, da construção narrativa e do distanciamento necessário entre o autor, o narrador e o personagem.

A literatura como terceira profissão

Meu interesse pela escrita começou ainda na escola, quando participei e venci um concurso de redação no Colégio Estadual do Paraná. Apesar da facilidade que sempre tive com as palavras, a literatura somente passou a ocupar o centro da minha rotina depois de minha trajetória na medicina e no serviço público.

Meu primeiro livro nasceu da necessidade de registrar e refletir sobre a experiência acumulada na gestão pública. Eu buscava compreender a relação, frequentemente conflituosa, entre as decisões técnicas e os interesses políticos.

Uma administração pública eficiente depende da capacidade de conciliar essas duas dimensões. Os técnicos nem sempre compreendem adequadamente a dinâmica política, enquanto os agentes políticos, por vezes, resistem aos limites, critérios e procedimentos técnicos.

Essa tensão forneceu o ponto de partida para minha primeira publicação.

Depois da aposentadoria, decidi dedicar-me integralmente à literatura. A mudança não representou o abandono das experiências anteriores. A medicina, a gestão de pessoas, a administração pública e o contato com diferentes histórias humanas continuam presentes em minha maneira de observar o mundo e construir personagens.

Minha produção reúne romances, crônicas, contos e ensaios. Entre os títulos que já publiquei estão “Valor, Talento e Método”, “Brasileiros, Paixão Itália” e “Pasquim da Pandemia”. “O Peso e a Pluma” marca o quarto livro de minha trajetória.

Método, leitura e persistência

Um dos principais temas de nossa conversa foi aquilo que costumo chamar de “carpintaria da literatura”.

A expressão representa o conjunto de técnicas necessárias para transformar uma ideia em narrativa. Assim como um marceneiro precisa conhecer suas ferramentas antes de construir um móvel, o escritor precisa compreender estrutura, ritmo, conflito, cenário, ponto de vista e desenvolvimento de personagens.

Uma história nem sempre nasce de um acontecimento pronto. Em muitos casos, ela começa com uma inquietação ou com um conflito humano.

O escritor pode desejar discutir esperança, desespero, abandono, culpa, afeto ou superação. Somente depois surgem o personagem e a situação capazes de sustentar essa reflexão.

Nesse processo, não basta ter uma história interessante. A diferença está na maneira como ela será contada. Como procurei resumir durante a entrevista, não se trata apenas do que será contado, mas de como essa história será construída.

A criação de personagens também exige atenção. Um personagem convincente precisa apresentar contradições.

As pessoas reais acertam e erram, conquistam e fracassam, experimentam felicidade e sofrimento. Personagens excessivamente corretos, felizes ou bem-sucedidos dificilmente conseguem representar a complexidade da experiência humana.

A leitura ocupa uma posição central na formação do escritor. Não devemos apenas ler os livros. Precisamos estudá-los, observar as escolhas narrativas e compreender como outros autores construíram cenas, diálogos, conflitos, atmosferas e personagens.

Esse olhar técnico modifica até mesmo nossa experiência como leitores. Depois que começamos a escrever profissionalmente, passamos a investigar a estrutura do texto enquanto acompanhamos a história.

O limite entre inspiração e trabalho

A imagem romantizada do escritor que permanece esperando pela inspiração também foi questionada durante a entrevista.

O talento pode contribuir, mas não substitui a disciplina, o estudo e a persistência.

“O Peso e a Pluma” levou aproximadamente quatro anos para ser desenvolvido. Durante esse período, estabeleci uma rotina de trabalho de segunda a sexta-feira, dedicando cerca de quatro horas por manhã à escrita, além de outras atividades realizadas no período da tarde.

O processo de criação de um livro envolve planejamento, pesquisa, revisão, reescrita e decisões que podem exigir horas de reflexão.

Encontrar a palavra adequada para determinada frase também faz parte do prazer da criação. A satisfação não está apenas na publicação da obra. Ela também está em sua construção, nos impasses enfrentados e nas soluções encontradas ao longo do caminho.

Uma obra literária não nasce somente da inspiração. Ela resulta de sucessivas escolhas, correções e tentativas.

Inteligência artificial e a busca por produtividade

A inteligência artificial também ocupou um espaço importante em nossa conversa.

Reconheço o potencial da tecnologia como ferramenta de apoio. Ela pode auxiliar em pesquisas, organizar informações e contribuir em determinadas etapas de trabalho.

Minha preocupação está na promessa de que qualquer pessoa poderia produzir um livro completo em poucos minutos, eliminando quase totalmente o processo de criação.

Esse comportamento reflete uma sociedade excessivamente orientada pela produtividade e pela velocidade. O objetivo passa a ser entregar rapidamente um resultado, ainda que o percurso criativo seja eliminado e a qualidade se torne secundária.

O problema não está necessariamente na ferramenta, mas na maneira como ela é utilizada.

A inteligência artificial pode apoiar o trabalho. O risco surge quando ela substitui integralmente a reflexão, a experiência, o repertório e a responsabilidade autoral.

Durante a entrevista, Luan Coelli também observou que a tecnologia pode contribuir para os processos das empresas, mas não deve ser confundida com inteligência humana ou domínio profissional.

Na literatura, essa discussão torna-se ainda mais sensível.

Escrever não significa apenas reunir frases gramaticalmente corretas. O trabalho literário exige repertório, sensibilidade, método, escolhas narrativas e uma relação profunda entre o autor e aquilo que está sendo construído.

“O Peso e a Pluma” e os conflitos da existência humana

Em meu novo romance, acompanho a trajetória de Giuseppe e de sua irmã gêmea, filhos de imigrantes italianos envolvidos com o crime organizado.

Depois do assassinato dos pais, os irmãos tornam-se órfãos e precisam enfrentar perdas sucessivas, abandono, conflitos familiares e fragilidades emocionais.

Ao longo da narrativa, esperança e desespero, caos e serenidade, peso e leveza aparecem como forças que atravessam a existência dos personagens.

Giuseppe busca compreender as consequências das decisões tomadas durante sua vida, enquanto tenta encontrar algum sentido para a própria trajetória.

A obra aborda a dificuldade de conviver com aquilo que não pode ser apagado, mas também apresenta a possibilidade de transformação diante das adversidades.

Com 224 páginas, “O Peso e a Pluma” é publicado pela Insígnia Editorial e integra as áreas de ficção, relacionamento e superação. O livro possui o ISBN 978-65-84839-53-3.

O caminho até “O Peso e a Pluma”

Mais do que apresentar um novo lançamento, minha participação no Programa Uilliam Barbosa permitiu que eu compartilhasse parte do caminho percorrido até aqui.

Experiências profissionais, lembranças familiares, conflitos humanos e inquietações pessoais tornaram-se matéria para minha literatura.

Ao assumir a escrita como minha terceira profissão, também passei a defender uma compreensão menos imediatista da criação literária.

Livros não surgem apenas de boas ideias. Eles dependem de leitura, método, disciplina, pesquisa, reescrita e disposição para permanecer diante de uma história até que ela encontre sua forma.

“O Peso e a Pluma” é resultado desse percurso. Um processo construído ao longo de quatro anos, atravessado por dúvidas, escolhas, alterações e pela busca constante da melhor maneira de contar uma história.

Onde comprar “O Peso e a Pluma”

“O Peso e a Pluma” está disponível na loja oficial da Insígnia Editorial.

https://www.insigniaeditorial.com.br/o-peso-e-a-pluma

A edição acompanha um marcador de páginas personalizado e está em pré-venda, com envio informado a partir de 10 de julho de 2026. As condições comerciais podem sofrer alterações de acordo com as determinações da editora.

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