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Crônica 25: A solidão como único espaço legítimo para sentir certas emoções.

Por estes mesmos anos o destino reservava uma vingança contra mim. É que vi a mãe sair às pressas do quartinho onde passava o dia costurando em meio a uma desordem completa, e procurar no alto do barranco dos fundos da casa por quem jogava pedras sobre o nosso telhado. Há semanas a família sofria esses apedrejamentos sem descobrir o que estava acontecendo, não obstante as benzeduras do padre. Eu pensava que era castigo diretamente pra mim, por causa das assombrações das casas com as tripas de mico e pedras de breu e, principalmente, pelas minhas incursões noturnas ao quartinho da menina que trabalhava lá em casa. Nada disso era confessável, o que só aumentava a causa dos apedrejamentos que eu atribuía exclusivamente aos meus pecados. Quando a empregada doméstica adolescente, preta como todas as escravinhas eram, partiu, o apedrejamento cessou. O padre disse que ela tinha o poder da telecinesia. Não havia nenhum pecado.

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