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Crônica 23: Parque de diversões

.Em outro morro de fim de rua, montávamos um parque de diversões. Negócio parecido com quermesse de igreja — a única comparação que tínhamos pra fazer —, com pescaria e derruba-latas com bodoque e bolinhas de cinamomo. Cada brincadeira tinha a sua barraca, e uma era de comidas, que cada um dos guris trazia de casa: bolo com salame dos alemães — dos quais alguns idiotas achavam graça fazendo chorar os alemãezinhos; pé-de-moleque da mãe branca do Pelé — o único menino preto da rua; moranguinhas da nona; rosquinhas recheadas da polacada; frutas de verão — figos, uvas, vergamotas — que, em vez de pedir, preferíamos surrupiar dos quintais. Era uma feira sem departamento de vendas e, duros que vivíamos, nós mesmos, os empreendedores, pescávamos as latas de sardinha, disparávamos bodocadas nas latas vazias e, de prêmio, comíamos todas as comidas.

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