- Outro tipo de combate sangrento da mesma época era disputado com espadas de madeira. Podiam ser de qualquer tamanho e peso, com bons protetores pra evitar esmagões nos dedos. Só não podiam mesmo era ter ponta. O quartel da nossa tropa ficava em cima de um barranco e o dos inimigos num porão de pedras de uma antiga casa italiana, futuro depósito de bananas por muitos anos. Nenhum lado tomava a iniciativa de atacar. Eles porque precisariam vencer o barranco e, na tarefa, levar ripadas de cima pra baixo, e nós, porque eles se fechavam no porão de pedras e só nos restava subir de volta o barranco para retomar nossa posição segura, de modo que a maior parte do tempo os exércitos passavam polindo as espadas antigas e inventando novas e secretas. Eles inventaram uma que tinha uma ratoeira adaptada na ponta que acionada deveria sequestrar a espada inimiga. Não funcionava muito bem. Nós, exploramos a força bruta do soldado Sansão que, na primeira batalha do ano carregava um espadão de guatambu, grosso como mourão de cerca e comprido como missa de domingo. Essa força da natureza pôs abaixo a porta carcomida do futuro depósito de bananas e destroçou o armamento do exército inimigo encurralado no porão. Foi guerra de semanas e uma só batalha.