No potreiro contíguo à ladeira guerreávamos em coxilha aberta, com investidas sobre o inimigo e recuos táticos às respectivas trincheiras e fortalezas. O terreno era inclinado e uma das táticas era manobrar pra se posicionar nas partes mais altas. Os fortes de pedras juntadas ali mesmo, cobertos com galhos de bracatinga, não podiam cair nas mãos do inimigo, mesmo na iminência do colapso do exército defensor, que lutaria até o último homem pra defende-los. A única arma permitida era uma capoeira abundante no campo de batalha, meio metro de altura, folhas finas e compridas reunidas num feixe resistente. Mantinham no emaranhado de raízes uma pelota grande de terra quando, os combatentes, as arrancávamos do chão. Giradas acima da cabeça, em meio a berração da batalha, eram arremessadas de preferência coxilha abaixo, de encontro às hordas em cavalgada imaginária. As vantagens estratégicas relacionadas ao armamento, consistiam na seleção ocular das capoeiras mais crescidas, na força bruta natural dos braços de cada combatente e na frequência de rotações da pelota no instante do arremesso. Girando braço mais macega acima das cabeças, os pelejadores não se pareciam com maragatos ou chimangos em montaria, mas com helicópteros off-road. Era um negócio meio violento, mas o único risco mais sério, a dizimar guris de lado a lado, era tomar uma traulitada de rabo-de-burro no pé-da-orelha e rolar pela ribanceira. Nunca houve mortos, e os feridos sempre se recuperaram rapidamente para a batalha da próxima meia hora.