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Crônica 8: Das chacoalhadas boas e ruins

  • MIMMESMO

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Das chacoalhadas boas e ruins a que fui submetido quando menino lembro especialmente de duas, da categoria felicidades. No moinho onde o pai trabalhava, havia uma espécie de peneira gigante que rebolava como bambolê em cintura de guria. É claro que a gurizada estava proibida de pisar lá: vários andares com descascadores, classificadores, moedores: acidentes em potencial. Mas a peneira rebolante era irresistível e sempre se dava um jeito de enganar o moinheiro polaco pra, agarrados em uns ferros que ela tinha nas laterais, chacoalhar deliciosamente até sermos descobertos e enxotados.  A segunda, foi de nível superior, não apenas prazer por chacoalhadas do corpo, mas aquecimento da alma e do coração no colo daquela velhinha de mãos retorcidas pela artrite, que não perdia a oportunidade de pegar netos e netas pra embalar no colo, fossem pequenos ou já marmanjas e marmanjos. A noninha foi a campeã dos meus afetos na infância.

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