Bem velhinho, proibiram-no de fumar, o que ele só deixava de fazer porque não tinha acesso a cigarros. Mas se uma oportunidade aparecia ele não desperdiçava. Foi assim que uma prima deu a ele uma imitação de cigarro feita de chocolate. O nono tomou um café com grappa e se sentou na frente do fogão a lenha pra acender e fumar a preciosidade. Abriu a portinhola e levava a ponta do cigarro às brasas, e a soprava pra que se avivasse, e aspirava, e não acontecia nada além de um leve derretimento da ponta do chocolate. A cada tentativa frustrada, soltava várias de suas imprecações italianas preferidas: porco dio, porca madona, dio cane. Netos e netas, dos pequenos e dos grandes, espiávamos aglomerados na abertura da porta da cozinha abafando gargalhadas.