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Crônica 11 – Porco Dio, sou de Fonzaso!

Já o nono era um inquebrantável italiano casca grossa pouco chegado a carinhos e conversas. Trabalhou como cavalo até os cinquenta anos e depois se aposentou por conta de propriedades que vendia. Seu passatempo era se sentar numa cadeira coberta com um pelego na plataforma da senzala, digo, transportadora de cargas, que funcionava no térreo de sua casa grande, e ficar observando a carga-descarga dos caminhões no lombo dos chapas. Os chapas se divertiam bulindo com ele e seu dialeto veneziano, que, misturado ao português, virou uma coisa que no sul do Brasil é chamada de talian. “Nono, de onde você é?”, perguntavam-lhe várias vezes ao dia. E ele respondia: “so da provincia de Belun, distreto de Fonzaso, dove le galine se chiama brasiliani, porco dio.” Ou alguma coisa parecida com isso.

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