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Crônica 3 – Sobre a descoberta da neve e o nascimento de uma tristeza bonita.

Estava aboletado numa cadeira junto da janela da sala de casa. Pela primeira vez, encantado, via a neve. Mas não eram os flocos brancos coreográficos que gravavam minhas lembranças. O que sentia, e ao fechar os olhos posso sentir outra vez, eram os toques sutis das plumas que desciam sobre meu braço estendido janela afora, eu a me perguntar: o que elas foram antes de ser neve? Vagamente, queria flanar com elas, como floco leve a qualquer confim. Mas impedido de crer e cogitar, lá estava eu, aboletado na cadeira junto da janela de casa, vendo a neve. Entranhado pelo broto da melancolia, minha nobre melancolia: a falta de não saber o que falta, a estranha felicidade de me sentir triste.

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