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Crônica 7: Queda, coragem e churrios emocionais

  • MIMMESMO

Não sei se antes ou depois da queimadura do meu irmão na casca de arroz, estávamos ele, a mãe, o pai e eu, não lembro se havia mais alguém, sobre um terraço de alguns metros de altura no moinho onde o pai trabalhava, observando um canteiro de obras a uns três metros lá embaixo. O terraço era cercado apenas por um cano grosso na altura da minha cabeça de criança de uns três anos. Meu irmão, que gostava de amarrar rojões nos rabos de gatos e soltá-los pra ver o desespero deles, me empurrou sabe-se lá porque e, por debaixo do cano de proteção, fui jogado às obras lá embaixo. Meu pai, impulsiva e insensatamente, se jogou atrás de mim; pretendia me alcançar antes que eu chegasse ao chão e me proteger salvando minha vida. O fato é que eu sai daquela com uns poucos arranhões, e meu pai, caindo de costas, teve a vida salva por um cavalete sobre o qual bateu o cotovelo esquerdo violentamente antes de chegar ao chão, o que lhe valeu fraturas ósseas complexas que o incomodaram até o fim da vida. Sorte que não morreu. É claro que o meu herói se agigantava e ganhou a crítica admiração dos que ficaram sabendo do acontecido.  Mas, eu me perguntava: será que nem por uma fração de segundo ele não pensou na mulher e nos cinco outros filhos que precisava continuar criando?  Meu pai era de grande e impulsiva coragem — talvez ainda conte outros feitos

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