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Crônica 2 – Sobre a presença silenciosa do pai e os sonhos compartilhados à mesa.

Anos depois, eu já era um grande conversador e meu companheiro ouvinte era meu pai. Depois do jantar, sentado ao seu lado à mesa, noventa graus à esquerda, e não frente à frente como é comum com um pai, eu tecia planos de futuro, rabiscava projetos de casas fantásticas, explodia meu menino sonhador. Não lembro se alguma coisa ele dizia, calado que sempre estava, e nunca cogitei atribuir sua presença dedicada aos miligramas de álcool que aqueciam seu sangue. Era meu pai e estava ali por inteiro, recendia a fumo e maçãs vermelhas enroladas em papel de seda azul-marinho. Será que foram muitas aquelas tertúlias? Provavelmente não, até porque, o menino, passei rapidamente. Mas o velho de hoje continua a querer conversar com seu pai. Ouvir o nada que ele teria a me dizer, encher de tudo o que me desse na telha seus ouvidos infinitos.

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