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Crônica 1 – Sobre a memória afetiva primordial e o afeto profundo da infância.

A minha lembrança mais antiga, aí pelo ano e meio de vida, vem de uma idade em que a neuroanatomofisiologia não é apta o bastante pra reter memórias. Meu hipocampo engatinhava. Mas eu — tenho quase certeza —, aconchegado a uma mulher de meia idade, preta, gordinha, quentinha, naquele momento era um bebê feliz. É provável que aquele colo tenha virado memória primordial pela emoção que estava lá. Emoções intensas, podem virar memórias até de um hipocampo intrauterino, pois ocorre que as coisas que menos se suporta lembrar são as que se guarda mais profundamente no inconsciente.

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